Mestre Nataniel Rosa fala sobre seu inicio nas Artes Marciais

Comecei nas Artes Marcais aos 11 anos de idade, influenciado pelos meus amigos que praticavam. Nessa idade pouca eu sabia sobre a vida, mas tinha muitos sonhos brotando em minha mente.
A necessidade de me auto-afirmar era muito grande, e ser incluído dentro do grupo era muito importante para mim. Além do mais poderia dizer aos outros que praticava arte marcial (principalmente para as meninas).
Aos 17 anos comecei a descobrir a magia dos filmes de Artes Marciais em especial o Kung-Fu. Vi pessoas extraordinárias realizando proezas, e aquilo me fascinava a ponto de eu querer praticar e obter aquela habilidade física.
Comecei a procurar livros e me informar sobre aquela arte que eu considerava maravilhosa.
Iniciei a minha busca por escolas de Kung Fu, fui me aventurando nos treinamentos físicos, querendo me afirmar perante os outros, me machucando e machucando os outros. Dizia-se na época que um treinamento bom era aquele que você tinha de sair machucado.
Treinava duramente todos os dias cada uma das técnicas, fazia exercícios físicos constantemente, mas continuava inseguro e com medo da vida.
Perguntava-me todo o dia o porquê disso, pois treinava duramente e não estava seguro de mim, com medo de tudo e de todos.
Esse tipo de treinamento me causou seqüelas muitos graves em meu corpo, me fazendo ser uma pessoa agressiva, pois foi a única maneira que eu descobri para me proteger da vida.
Acabei desistindo deste tipo de prática, por sentir que isso não contribuía para preencher o vazio que existia dentro de mim.
Por algum tempo abandonei a prática em academias, por achar que isso não ia me levar a algum lugar. Comecei a me dedicar sozinho aos treinos e eventualmente visitava alguma escola para trocar técnicas com algumas pessoas.
Aos 22 anos comecei questionar a minha vida, fazer perguntas sobre o que era realmente importante para mim. E sabia que precisava encontrar alguém que realmente pudesse me guiar na trajetória das artes marciais.
Quando entrei em contato com a Moy Yat Ving Tsun, pensei se tratar de uma academia normal de artes marciais. A minha única preocupação naquele momento era saber dos valores da mensalidade e horários. Quando para lá liguei, meu Mestre Leo Imamura tinha atendido ao telefone e me convidado para visitar a escola. Assim poderíamos conversar pessoalmente, pois como ele poderia falar de valores se eu não sabia exatamente o que era aquilo.
Agendamos um horário no final da tarde e assim que cheguei na escola fui recebido diretamente pelo Mestre Leo Imamura.
Pensei que iríamos conversar na própria escola, mas o destino me pregou uma peça muito grande, pois tinha acabado de conhecer alguém que tudo que ele fazia estava relacionada com a sua habilidade estratégica apreendida nas artes marciais e que disso ele passava para a sua própria vida.
Nossa conversa não se limitou ao recinto do núcleo, se estendeu a seus afazeres diários, desta forma me dando a oportunidade de estender a nossa conversa.
Naquele dia eu percebi que alguém realmente se importava comigo e que por algumas horas ouve zelo para com minha pessoa. Sentia que estava diante de alguém que fazia o que falava e de que toda a sua habilidade física se refletia em sua maneira de encarar a vida.
Decidi iniciar minha jornada sabendo que não aprenderia apenas técnicas de defesa pessoal, mas a como viver.
Umas das grandes dificuldades que eu tinha era de sair do meu próprio umbigo e prestar mais atenção nos outros.
Hoje depois de muitos anos de treinamento comecei a perceber como foram importantes as experiências que tive no próprio local de treino chamado Mo Gun para que eu mudasse a minha maneira de ver as coisas.
Sempre gostei muito de treinar, mais treinava sempre só para mim. Nunca achei que prestar a atenção nos outros e na situação em que nos encontramos seria um fator crucial para o sucesso de uma ação.
Muitas vezes, antes ou depois das sessões de tutoria, meu mestre me pedia para ajudar alguns alunos mais novos. No começo tinha uma certa resistência em relação a isso, mas depois comecei a achar interessante e até a procurar por mais experiência como essas, pois isto começou a me ajudar na percepção de como eu estava construindo minha habilidade através dos outros.
Então comecei a levar isso para outras tarefas dentro do Mo Gun, desde a como ajudar a pintar uma parede (essa foi minha primeira experiência) até a como receber um novo aspirante a membro no núcleo.
Então comecei a perceber que um pequeno gesto como pintar uma parede ou tirar a poeira de um canto da sala continham um grande aprendizado. Logicamente que eu poderia ter visto isso nos meus afazeres normais da vida, mas eu não estava sensível a essas sutilezas. Precisei encontrar um local que tivesse a ambiência adequada para que eu percebesse isso.
Eu tinha uma percepção de que apenas treinando o meu corpo seria o suficiente para eu me tornar um grande praticante. Infelizmente eu estava muito longe de alcançar isso se continuasse emocionalmente descontrolado. Mestre Leo Imamura sabiamente começou a trabalhar meu emocional em conjunto com os meus movimentos facilitando desta forma a melhora do meu movimento corporal e das minhas relações no dia-a-dia.
Dei-me conta de que quando falamos de combate, podemos relacioná-lo a outras esferas da nossa vida.
Lutamos para manter nossos empregos, lutamos para manter nossos relacionamentos ou até para conquistar a pessoa amada. Se limitarmos nosso aprendizado em apenas dar soco e chute não vamos conseguir estender para a conduta os conceitos marciais que são tão importantes para a nossa vida.

Somos uma das poucas entidades representativas das Artes Marciais Chinesas do mundo, reconhecida pelos principais organismos de pesquisa e preservação do Sistema Ving Tsun Kung Fu, tendo-se destacado pela excelência de sua transmissão, e agora acessível a você em Brasília, Asa Sul.