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Disciplina de Kung Fu aproxima a cultura chinesa dos alunos da EEFE

June 30, 2011 Por: moynatan Categoria: Gerais Nenhum Comentário →

O texto colocado abaixo foi tirado do Jornal da USP (universidade de São Paulo).

Conta-se que há muito tempo atrás, na China, uma monja taoísta chamada Ng Mui, sobrevivente do incêndio do templo Shao Lin, criou um método de luta. Conversando com um senhor de nome Yim Yee, soube que um homem chamado Wong havia ameaçado levar sua filha como pagamento de uma dívida. Ng Mui, então, ensinou sua técnica à filha de Yim Yee para que se defendesse.

O genro de Yim Yee, via sua esposa treinar o método aprendido. Subjugando-a, convidou a uma luta. Sofreu uma incrível derrota e, admitindo a eficiência da luta, pediu que sua esposa a ensinasse. Em homenagem, batizou a nova luta com o nome dela: Wing Chun.

Também chamado de Ving Tsun, o Wing Chun é uma das centenas de estilos da arte marcial chamada Kung Fu e foi tornado mundialmente conhecido por Bruce Lee. Aos alunos que se interessam por essa arte, a Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP criou recentemente uma disciplina - ministrada pelo professor Walter Roberto Correia, ou Moy Waa Dat, da 11ª geração da linhagem e discípulo de Moy Yat Sang (Léo Imamura), introdutor do Wing Chun na América do Sul.

A disciplina

A escolha pelo Wing Chun (e não por outra arte marcial) se deu, naturalmente, pelo fato de que Moy Waa Dat já tem uma relação com o estilo. “Todo docente parte daquilo que pressupostamente sabe ou tem uma relação. Na verdade, eu coloquei o meu objeto de desejo e admiração à frente para a escolha do Wing Chun Kung Fu”, justifica.

O ineditismo da EEFE está na criação da disciplina fora dos moldes do que se ensina em academias de esportes. Em outras palavras, não se aprende a lutar Wing Chun, recentemente tornado patrimônio cultural intangível pela UNESCO, mas a cultura deste estilo. Para tanto, são ensinados na disciplina tópicos como o que é um sistema estratégico chinês, a importância da tradição oral e a configuração do sistema Wing Chun. “Quando nós trazemos o Wing Chun Kung Fu, nós trazemos elementos da cultura chinesa, o que nos permite descobrir novas lógicas e possibilidades de avaliação do corpo, das relações humanas e da própria cultura”, explica Moy Waa Dat.

Kung Fu

“Se nós desmembrarmos os ideogramas da palavra Kung Fu, um simboliza trabalho, esforço, aplicação de energia; e o outro ideograma significa homem sábio. Se nós pudéssemos oferecer uma interpretação da palavra Kung Fu, seria ‘um esforço trabalhado com inteligência, com sabedoria’”, explica Moy Waa Dat.

A rigor, a expressão de uma habilidade que é fruto de esforço e trabalho é Kung Fu. No entanto, a faceta marcial, popularizada pelo cinema, foi a que ficou mais evidente. O professor exemplifica “a minha mãe querida tem bom Kung Fu na culinária e para cuidar dos seus familiares como dona de casa. Ela tem bom Kung Fu, ela construiu aquilo com habilidade”.

Especificamente em relação ao Wing Chun, sua maior contribuição diz respeito à feminilização da guerra. “O empreendimento do combate, do uso da força, pelo menos nos últimos milênios é algo que ficou inserido no âmbito do masculino. A feminilização da guerra é uma estratégia para harmonizar as forças que operam na vida e nas relações socias”, aponta Moy Waa Dat.