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Manual chinês sobre a arte da vitória

November 14, 2011 Por: moynatan Categoria: Gerais Nenhum Comentário →

O pensamento estratégico chinês, cultivado em milhares de anos e ao longo de muitas guerras, também pode ser útil ao universo corporativo, mas não encontra, em língua Portuguesa, uma vasta literatura. O lançamento da edição brasileira de “As 36 Estratégias Secretas”, do especialista japonês em cultura chinesa, Hiroshi Moriya, preenche um pouco dessa lacuna.
A obra detalha, em seis blocos, com igual número de subitens, estratégias para a vitória na batalha; para enganar o inimigo; para o ataque; para situações ambíguas; para batalhas unificadas; e para uma batalha perdida. “O chinês considera que o número seis é a base da mudança, ponto comum a todas as estratégias apresentadas”, sintetiza o consultor de empresas que assina a apresentação do livro, Leo Imamura.

O consultor, mestre na arte marcial que leva o nome da sua criadora, Ving Tsun, e especialista em inteligência estratégica chinesa, comenta que o ocidental, com base no modelo de pensamento grego, idealiza algo e põe em ação a vontade para alcançar seu objetivo. A forma oriental de pensar, compara Imamura, se inspirou na lógica do desenvolvimento. “Você não tem um modelo da realidade. Ele se desenvolve à medida em que as coisas acontecem. O desafio é se antecipar”.

Reflexões – É com essa abrangência, recomenda o especialista, que o livro deve ser absorvido por empresários. Ele não oferece um passo-a-passo, mas uma reflexão. Ter uma meta, de acordo com o raciocínio proposto, “seria limitar as oportunidades, porque no momento em que a empresa inicia a ação do plano, o mercado já começa a mudar. Por isso, mais importante que a persistência, é o monitoramento dos acontecimentos”, conceitua Imamura.

As estratégias chinesas, na apresentação do livro de Hiroshi Moriya, transitam entre histórias milenares de guerras, mas também aparecem em exemplos recentes, para facilitar o entendimento do leitor.

No mundo globalizado, segundo a sua análise, o livro ajuda as pessoas a entenderem que há outras formas de ver a estratégia, sem que seja apenas sob a inspiração do modelo grego. O livro, no entanto, não é um contraponto a esse modelo, ressalva. Ele recomenda que os empresários absorvam a leitura como uma reflexão

Vantagem – “Nós, brasileiros, somos considerados muito indisciplinados. Mas isso é uma qualidade. As obras chinesas nos ajudam a entender as nossas idiossincrasias”, afirma o consultor. Ele considera que muitos empresários locais já aplicam as estratégias chinesas, ao valorizar as possibilidades de variações no mundo dos negócios. “O brasileiro aprendeu muito com as instabilidades e terá maior facilidade para entender o livro.
Há muita literatura no mundo sobre as estratégias chinesas. O próprio Imamura deverá lançar, em 2012, um novo livro sobre o tema.

Leia um trecho do livro, relacionado com a pequena empresa: “…Se você puder dividir o inimigo e então atacar, será capaz de avançar na batalha com uma vantagem. Essa maneira de pensar também pode ser aplicada a táticas econômicas em pequenos negócios. A empresa menor, que tem “uma força militar menor”, não sobreviverá se tentar encarar companhias grandes e bater de frente com elas em seu território. Para sobreviver, ela deve concentrar sua força marcial, planejar o desenvolvimento de seu próprio produto exclusivo e atacar quando houver uma abertura ou lacuna em um negócio que tenha um tamanho maior”.